Desde junho de 2013 a Aras/Cáritas tem prestado atendimento aos imigrantes que estão chegando em Maringá e região, em especial aos haitianos, os quais têm uma demanda assumida pela Cáritas em âmbito nacional, e também por estarem migrando em maior quantidade para o país. No início, esse atendimento consistia em montar o processo de solicitação de refugio e auxiliar o imigrante com as demandas junto a Polícia Federal. Tendo em vista a temática da campanha da fraternidade deste ano “Fraternidade e Tráfico Humano” a ARAS/Cáritas, juntamente com seus parceiros e colaboradores, vem organizando uma série de novas ações, para tentar auxiliar os imigrantes que, por uma série de circunstancias, são obrigados a abandonar sua cultura e costumes para viver em um país desconhecido, onde, na maioria dos casos, não compreendem a língua portuguesa, dificultando assim a entrada no mercado de trabalho ou adaptação na região onde estão inseridos.

Foto: ARAS

A 25º Romaria do Trabalhador e Trabalhadora da Arquidiocese de Maringá, por exemplo, foi uma dessas ações em que foram arrecadados alimentos e redistribuídos aos imigrantes haitianos recém chegados na região metropolitana de Maringá, como sinal de um primeiro gesto concreto da CF 2014.

Realizou-se, então, uma série de encontros em que estão sendo definidas estas ações e as colocando em prática. Uma delas é a organização de uma Associação dos Imigrantes da Região Metropolitana de Maringá, que, a princípio, está sendo dirigida pelos imigrantes haitianos, estando aberta à todos os demais. Outra ação que está desenvolvida é o curso de língua portuguesa para iniciantes, ministrado por professores voluntários, com a possibilidade de se montar mais uma turma na cidade de Paiçandu, outra em Mandaguari e mais uma turma de português avançado dentro da UEM.

A terceira ação que está sendo realizada é o projeto de hortas comunitárias, voltado para as famílias de imigrantes, o projeto visa a horta como instrumento de geração complementar de renda. Em contrapartida, os imigrantes do Haiti irão oferecer às comunidades de Maringá e região um curso de agroecologia urbana, que ensina como fazer uma horta com pouco espaço na residência, utilizando materiais recicláveis como pneus velhos, latas, baldes e outros utensílios que quando descartados de forma incorreta causam um dano substancial ao meio ambiente.

Orientações sobre as leis trabalhistas em vigor também estão sendo dadas aos imigrantes. No dia 26/06, a ARAS/Cáritas realizou na cidade de Flórida (PR), a primeira palestra para imigrantes sobre direitos e deveres na área trabalhista brasileira. O presidente do Conselho Arquidiocesano de Leigos e Leigas de Maringá e advogado da Força Sindical, Walter da Silva Fernandes, ministrou a palestra, com a tradução de Wilner Jean Baptiste, liderança haitiana na região de Maringá. Cerca de 60 imigrantes haitianos e senegaleses participaram do encontro. Dentre as orientações dadas aos participantes, destacou-se a importância de se compreender que cada trabalhador tem um sindicato e que dentro dele há um departamento jurídico para resolver questões trabalhistas. Ainda foi salientado que, uma vez que um estrangeiro foi registrado ou contratado por uma determinada empresa, os direitos são idênticos aos direitos dos cidadãos brasileiros.

Estiveram presentes também contribuindo com o evento as irmãs Carmem Barbelli e Cecília Zanet, da Cáritas Diocesana de Apucarana, o padre Paulo, da cidade de Flórida, a Professora de Geografia Sueli de Castro Gomes, da Universidade Estadual de Maringá, Mauro Cardoso dos Santos, representante do sindicato dos trabalhadores da construção civil e os representantes da Associação Haitiana de Arapongas, Bazelais Jean François e Jean Simon os quais também deixaram sua contribuição ressaltando a importância de se articular uma associação para imigrantes em cada região onde os mesmos estão inseridos.

Como demanda, será elaborado um cronograma de agendamento de palestras com intuito de atender o maior número possível de imigrantes em Maringá e região.

Por: ARAS/CÁRITAS 

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